NENETE, DORINHO E NARDELI

Por Roberto Bragagnollo

QUEM FOI NENETE? 
Waldemar Castelar de Franceschi – o Nenete – nasceu no ano de 1919 em Santa Adélia-SP e veio para Pirassununga com apenas 10 anos. Nos anos de 1940, Nenete iniciou sua carreira artística na Rádio Difusora de Pirassununga, ZYI-3. Participou da dupla “Nenete e Ditinho” no ano de 1943 e do “Trio Saudade”, com Ninão e Nininho.

Com o “Trio Saudade”, atuou na Rádio Record, no programa “Hora dos Municípios”, apresentado por Genésio Arruda, entre 1947 e 1955. Durante 5 anos, com o nome artístico de Limeira, formou dupla com Luizinho, atuando por um ano nos programas “Imagens do Sertão” e “Alma da Terra”, da Rádio Tupi.

Nenete e Dorinho (Izidoro Cunha) se conheceram em 1954, no Concurso de Violeiros do IV Centenário da Cidade de São Paulo. A partir dali, formaram a dupla e gravaram, em 1958, as músicas “Teu Castigo” e “Meu Perdão”.

Com o sanfoneiro Nardelli (Antônio Onofre Figueiredo), formaram um trio de sucesso que se apresentava na Rádio Tupi: “Nenete, Dorinho e Nardelli”, que ficou muito conhecido como o “Trio de Ouro do Rádio Brasileiro”, o mais premiado do Brasil, quando conquistaram o troféu Roquete Pinto, uma espécie de “Oscar Brasileiro” daquela época.

Em 1966, Nenete assumiu a produção artística da Gravadora RCA Victor, uma das maiores potências fonográficas do país.

DISCOGRAFIA
Nenete compôs e gravou mais de 400 músicas. Sua discografia impressiona, Só pela RCA Victor lançou 60 discos de 78 rpm, 22 long-plays, 16 compactos duplos e 28 compactos simples.

Nenete faleceu no dia 28 de dezembro de 1988, vítima de uma tentativa de assalto em sua residência em Pirassununga. Sua obra é citada como referência e seu nome, sempre lembrado como um dos artistas que mais contribuíram para transformar a música de raiz em patrimônio da identidade nacional.

A Semana Nenete de Música Sertaneja foi criada em 1995 por iniciativa do vereador e radialista Edson Sidinei Vick, através da Lei Municipal n.º 2.656.

QUEM FOI DORINHO?
Izidoro Cunha, o Dorinho do “Trio de Ouro do Rádio Brasileiro”: Nenete, Dorinho e Nardeli, nasceu na cidade de Bernardino de Campos, interior paulista.

Com apenas 8 anos de idade, já fazia sucesso cantando nas festinhas da escola onde estudava e em aniversários. Em 1953, por motivos de saúde, teve de se mudar para São Paulo. Foi lá que Dorinho conheceu o cantor Doro, que o convidou para formar a dupla Doro e Dorinho.

Em 1954, Doro e Dorinho participaram do Concurso de Violeiros do IV Centenário de São Paulo, realizado no Ibirapuera, onde Nenete era um dos jurados do certame. A dupla não ganhou o festival, mas foi a voz de Dorinho que chamou a atenção de Nenete, que logo fez chegar às mãos de Dorinho um bilhete, marcando um encontro em seu apartamento.

Nascia alia a dupla Nenete e Dorinho. Naquele mesmo ano, 1954, gravaram o primeiro disco com a música “Milagre das Rosas”. Depois vieram outros. Mas o grande sucesso de Nenete e Dorinho viria mesmo com o quinto disco, com a música “Vinte Anos”.

Artistas contratados pela Rádio Tupi, Nenete e Dorinho conheceram o sanfoneiro Antônio Onofre Figueiredo, o Nardeli. A partir dali, a dupla se transformou num trio: Nenete, Dorinho e Nardeli.

O “Trio de Ouro do Rádio Brasileiro”, como ficou conhecido, viajou por esse país afora, cantando e encantando plateias. Num dado momento, Nenete adoentou-se. Impossibilitado de viajar, Dorinho, passou a cantar com o sogro Maracá, pai da Iara.

A dupla Dorinho e Maracá gravou 3 LPs. Depois, foi a vez do sanfoneiro Nardeli deixar o Trio. O sanfoneiro Ponteli o substituiu. Dorinho, Maracá e Ponteli gravaram 3 LPs. Maracá, também por motivo de doença, foi obrigado a deixar a carreira artística.

Dorinho seguiu em frente formando outras parceiras.

A cantora Iara, uma das preferidas de Inezita Barroso, fez, enfim, um convite ao Dorinho e ao Ponteli para formarem o Trio de Ouro: Dorinho, Iara e Ponteli. Com essa formação gravaram 4 CDs – um deles em dose dupla – e o primeiro DVD da carreira.

Dorinho faleceu em 2011, aos 77 anos, na cidade de Campinas. Foram 57 anos de carreira artística. Seu último show aconteceu em Pirassununga, no dia 10 de julho de 2011, ao lado da esposa Iara e do sanfoneiro Ponteli, na 17ª Semana Nenete de Música Sertaneja.

Naquela oportunidade recebeu da prefeitura de Pirassununga a “Medalha Huquiles de Carli de Incentivo às Tradições Caipiras”, como “Destaque do Ano”. O radialista e compositor Geraldo Meireles, o “Marechal da Música Sertaneja”, padrinho da Roda de Violeiros “Joaquim Negrão”, de saudosa memória, fez questão de participar daquela homenagem.

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